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Premiados do Macacos Cine Fest

O 1º Macacos Cine Fest termina demonstrando e abrindo uma grande possibilidade aglutinadora da cultura nacional. Macacos é um arraial ícone que se sobressai pela natureza exuberante e na luta pela sua preservação.

MELHOR FILME

Entre Aulas
de Marizele Garcia

Existe uma certa qualidade em alguns filmes que é o ilusionismo de uma suspensão do tempo. Um filme que te embala, te carrega através da narrativa com a sutileza de te fazer não perceber mais a passagem do tempo é sempre um enorme prazer. 

Talvez não seja por acaso que a nossa escolha para o melhor filme seja justamente um que aborda um momento da vida em que as horas passam quase despercebidamente. Um limiar entre a infância e a adolescência cheio de ambiguidades e fronteiras rarefeitas. 

Todo mundo adora ver um bom filme. É admirável quando a direção trás coesão e coerência entre todos os detalhes, todas as esferas e as equipes de um filme. E sem deixar de se abrir para a colaboração coletiva, como no caso de um roteiro cocriado com os atores mirins. 

Já estávamos certos de que Entre Aulas seria o ganhador do Prêmio Melhor Filme. Quando descobrimos que se trata da estreia de Marizele Garcia como diretora, ficamos ainda mais contentes e seguros da nossa escolha.

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI e MELHOR CURTA-METRAGEM JÚRI POPULAR

Windows 51
de Sandro Garcia

Para o prêmio especial do júri, escolhemos um filme que cumpre uma função muito importante de inspirar. 

Feito inteiramente dentro de uma casa, e a partir das suas janelas, esse filme emocionou com a sua inventividade e criatividade. Incluindo um desejo cinematográfico de eternizar uma pessoa querida e denunciar uma realidade. Esse filme buscou signos caros ao cinema e recorreu ao mais inventivo sem deixar de enxergar o valor da simplicidade e da crueza. Lições de cinema e de vida. 

Windows 51, de Sandro Garcia, com certeza deixa sua marca na primeira edição do Macacos Cinefest.

MENÇÃO HONROSA

Dentro do Meu Peito Mora um Cão
de Gabriel Afonso

Como júri, tomamos a liberdade de escolher um filme para trazer uma atenção especial dentro desta premiação. 

Quando um jovem realizador se joga ao desafio da ficção, ele sempre há de enfrentar uma série de dificuldades em seu caminho. Quando esse jovem vem de um território, de uma classe, em que a exclusão e a precarização já estão presentes a priori, o cinema pode parecer mais um esforço impossível. 

Dentro do meu peito mora um cão é um filme que aponta um olhar interessante. Sendo diretor e ator ao mesmo tempo, Gabriel Afonso aposta na atuação como um dos caminhos de maior expressividade em sua obra. Sempre buscando o máximo de sutileza e verdade em seus personagens. 

Sutileza que permeia quase todos os aspectos do filme, como o roteiro, que amarra a ironia da cidade dormitório com a insônia dos angustiados. A fotografia, com seu delicado plano final, que traz respiro e ternura para o filme. Dá para perceber no filme o olhar interessado do diretor no mundo e nos pequenos detalhes ao seu redor. 

Há um ponto que foge a essa sutileza: a repetição e aparição repentina das placas de rota de fuga. Elas estão ali, nada se diz sobre elas, mas não são nada sutis. Não teriam como ser.

DESTAQUE FEMININO
Eloisa Soares (Direção de Fotografia e Colorização)

Noite sem Ninguém
de Maurício Vassali

O filme que abriu a mostra competitiva já nos deixou surpresos, nos preparou para embarcar em diversos e diferentes sonhos, e perdurou em nossas retinas ao longo desses quatro dias de festival. 

Para o destaque feminino, temos a honra de premiar Eloisa Soares, fotógrafa do filme Noite Sem Ninguém, direção de Maurício Vassali.

Nesse filme de trânsito entre a vigília e o sono, as imagens e paisagens ‘Lynchianas‘ são iluminadas e enquadradas com um primor que se destaca no festival. 

Os planos abertos, as noites, os animais, são desafios para um fotógrafo. Eloisa nos apresentou como resultado desses desafios imagens surpreendentes e elegantes. Para nós, a fotografia está no coração deste filme que aposta em um cinema conciso, de um desejo claro e bem direcionado. E são as luzes de Eloisa que nos direcionam nesse caminho.